Para os participantes e orientadores
Olá queridos e queridas,
Sei que Claudia levou um vídeo que acelerou certas as memórias. Que bom! Achei BEM interessante voltarmos a olhar para esse roteiro depois da pesquisa que vcs fizeram em praças e ruas, o que dará um outro embodiment para cada figura.
Na peca original, Handke introduziu mais de 400 tipos, dos mais comuns aos mais alegóricos. Para o Ateliê 1, eu fiz uma GRANDE seleção, que pode ser diminuida ou acrescida de outros tipos, já que não seria propriamente a peça e sim uma criação a partir de um roteiro, que em si já contem uma grande escolha. Escolhi esses transeuntes pensando nas pessoas daquele ateliê, mas qualquer outro tipo pode fazer parte do texto cênico. Se vcs me confirmarem esse desejo em nossa conversa de quinta, eu irei novamente em busca do texto original para ver se eu incluiria outros tipos, pensando em VOCES:-)
Mas, animada e já começando um pouco a dirigir: Como já deve ser do conhecimento de todos, todos os meus trabalhos lidam com a questão do olhar. Aqui, o que mais me atraiu é como cruzando-se diariamente, pessoas podem ser invisíveis umas para as outras. Da mesma forma, conexões acontecem temporariamente, tornando as pessoas visíveis, mas ao se desconectarem, tornam-se novamente invisíveis. Pensando sob essa ótica, minha visão para esta performance é que:
1. Ao atravessar o espaço (cuja geografia deve se manter a mesma), formam-se quadros que se sustentam por segundos para em seguida se diluir. Nessas passagens e suspensões podemos perceber um pouco do que cada transeunte é, mas cada personagem esta protegido em sua privacidade.
2. A medida que a peca coreográfica avança, o autor do texto que deu origem a esse roteiro sugere que, em virtude de um temor não muito definido, esses transeuntes tentam se conectar, oferecendo uma imagem simpática, amorosa de si mesmos. Com isso, cenas que seriam privadas se tornam publicas e as pessoas forma relações.
3. Ao final, as conexões estabelecidas se provam temporárias ou ilusórias (experimentar diferentes motivos para que as conexões se diluam) e os transeuntes voltam a seu isolamento.
Já da pra começar a experimentar, não é? Vamos nos falando! Conheço bem o autor e estudei bastante esse texto, então para mim, será bom revisita-lo e reencena-lo enquanto performance.
Alem das orientações acima, envio tb uma primeira pergunta para pensarem: como faremos essa transição? Qual será, dentro do que vcs ja estudaram sobre performance, a principal diferença entre uma peça coreografia e uma performance?
Grande beijo em todos, Regina
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
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