Quadro 4:
Praça brilha imensamente em seu vazio
Uma pessoa anda apenas numa área da praça. Outra, indescritível, com as mãos no bolso se volta para um lado e para o outro, sempre virando- se sobre si mesma. Um homem engatinha no chão mais ou menos seguindo-a
O perambulador entra na cena.Quando ele senta, abre um mapa, pessoas entram violentamente na praça vindas de todas as direções.Depois saem e outro grupo entra e quase todos saem. 3 ficam: o bobo da praça, um tentando respirar, outro abre braços reconhecendo que chegou. Anda para se juntar ao do mapa, olham juntos o mapa.
Enquanto isso, mulher entra com carrinho de compras acompanhada de um homem; param se abraçam de diversas maneiras e ela continua empurrando o carrinho p/ frente e trás.
Ela vai embora e ele a segue com alguma distancia levando o carrinho - PAUSA
Perambulador caminha vago, chapéu na mão, livro na outra.
Casal jogging re-aparece.Passam de um lado e outro do perambulador com gestos de boxe que derrubam objetos da mão dele. O perambulador prossegue e encontra outro jogger que o cumprimenta. O perambulador acena para ele. O outro pega os objetos.
Volta o homem com molho de chaves e Dois ou três homens bebendo em garrafas
O observador fecha o mapa. O “amigo”se levanta e olha para tras, parado.
Pequeno grupo de roupa branca e preta festiva tirando arroz do cabelo.
Beldade entra de costas, para de repente se volta para olhar – para o observador! Para.
Quase tão repentinamente um embrulho se joga na praça. O embrulho faz uma dança. Gritos, tremores, frente e trás, até que fica claro que não são várias pessoas e sim uma em sua batalha final com a morte; um sapato sai do embrulho.Bobo da praça imita homem que morre no espasmo final. Silencio.
Duas pessoas aparecem com movimentos hábeis e o corpo morto é carregado para fora
Fragmento de uma troupe de circo faz uma parada em volta da praça como arena.Chefe do circo, garota malabarista, um palhaço e um anão. No meio do caminho o bobo da praça se junta a eles e encontra um refúgio momentaneamente. Depois fica novamente só.
Beldade novamente aparece seguida por alguém que rapidamente dá um soco em outro que estava a frente. Sai e o outro segura a cabeça.Ela pára sem saber o que fazer. Alguém de patins pega sua bolsa, corre e a faz girar.Sai.Ela fica parada sem saber o que fazer.
Dois jogam bola, atravessando a praça.A Velha empurra seu carrinho familiar cheio de bolsas de plástico.Homem e mulher aparecem no caminho para postar suas cartas
Homem atrás da beldade , suavemente coloca mãos sobre olhos dela.Ela não se vira. Ele a levanta e gentilmente a carrega para fora da praça. Ela suspira aliviada.
Quietas idas e vindas de grupos indistintos. Som de crianças, gritos, choros, barulhos.
Duas pessoas se cruzam. Hesitam.Se olham.Se reconhecem/ gesto afirmativo cabeça. Se afastam. A distância, olham um para o outro e continuam caminhos separados.
O quadrado vazio, menor, como uma pequena ilha rodeada de sons oceânicos. Grito águia, breve momento. Som agudo gaivota.
PAUSA
Quadro 5
Folhas secas são jogadas em cena.
Homem segue mulher e logo depois mulher seguindo o homem. Ela bloqueia o caminho dele. Homem se esquiva.Ela agarra a roupa dele e ele a dela, trocam de roupa. Ele corre. Ela fica se ajeitando na roupa dele
Homem solitário se aproxima.Tem uma bengala. Por um momento parece ser só um velho aparecendo na praça. Aparece de um lado e quase sai do outro. Reaparece do mesmo lado. Eterno círculo.Velho vai mudando de personagem.Aparece afinal só como velho solitário.
Outros agora andam em círculo. De vez em quando param, procuram por suas cabeças, pés, braços. Caminham lentamente.
Alguem toca na bengala do velho.Ele se atemoriza e fica quieto até que um grito de criança vaza a cena. Sons de terror, gritos de dor, várias pessoas entram e dominam a cena. Param e andam. São as pessoas locais , os transeuntes, e neste repentino passar, gritos de crianças, rosto branco do velho. Todos servem de moldura para ele possa levantar a cabeça e olhar, mas não são os olhos que ele procurava. Nega com a cabeça.
PAUSA
Quadro 6
Quadrado de luz com seus ocupantes. Sons de batidas.
Um homem correndo em pânico e de repente não está mais com pressa.Encontra alguém.Eles se sentam a alguma distancia um do outro.
Quadro parado.
Novamente alguém se esquiva e o bobo começa a fazer palhaçadas. Sai para o lado. Para.
Alguém abre um livro, passa suas folhas e caminha para frente e para trás.
Por um momento ninguém passa. Todos ficam lá, parados.Não há nenhuma atividade.
Agora eles sentam. Descansam. Uns lideram e os outros fazem a mesma coisa.
Uma mulher levanta como se levantasse dos mortos. Primeiro dando cambalhotas, depois como uma figura andando.Outro se levanta. Tira a poeira do chapéu. Caminha calmamente com pequenos passos. Alguém procura lugar entre os outros e não é capaz de encontrar. Até que este que procura e não acha se torna dramático.Então o bobo da corte, o dono da praça, o mestre, mostra um lugar. O bobo deixa cair sua máscara e se transforma.
A praça e sua velha luz.
Perto ou longe uns dos outros todos estão em cena.
Barulho.Subitamente todos se recolhem.
Alguém se bate na face.
Alguém convida uma mulher para se sentar no joelho
Alguém ajusta o casaco.
Homem se encosta numa mulher com desejo de se segurar.
Outro arranha chão.
Outro espera. Depois outro chega e espera.Outros esperam.
Homem e mulher seguram no sexo um do outro.Alguém corta o cabelo.
Outro tira a poeira do sapato.
Outro joga chave para a mulher que pula para cima e para baixo.
Alguém se joga de barriga e escuta o chão.
Alguém não agüenta esperar e tenta sair, mas outro o traz de volta.
Alguém procura uma coisa e outro alguém, de quatro, começa a olhar da mesma maneira.
Mais e mais pessoas se olham....não, eles não se olham, eles se vigiam. Eles vão chegando mais perto, sempre nessa vigilância. Alguns só olhos, outros só ouvidos.
Alguns circulam em sinal de reconhecimento.
Ficam lá.
Um homem se levanta, sobe em outro, com olhos bem abertos segura atenção de todos. Seguro. Sorriso. Silencio. Se prepara para falar. Começa um discurso para si como uma prévia do que vai falar. Mesmo os de longe estão atentos. Fazem comentários.
Fica em silencio como se já soubesse o que vai falar. Mas fica em silencio.
Quadro 7
Praça vazia. Pouca luz
Respiro de borboleta, mariposas.
Embrulho amarrado flutua num pequeno paraquedas.
Alguém não identificável com uma vassoura puxando objetos que foram usados.
Começam pequenos movimentos. A memória. Pequenas fragmentos, a memórias dos atores. Pequenas reconstituiçõs com poucas pessoas.
O último quadro deve ser completado por quem vê. Damos apenas uma sugestão, uma respiração.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
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