
Apresentação de pesquisas em processo de criação no dia 03 de julho de 2009
Uma das questões discutidas desde o principio da filosofia é a relação entre o agir e o pensar. Costuma-se supervalorizar o trabalho intelectual em derimento do trabalho maunal, no entanto são estes inseparáveis e responsáveis pela definição da condição humana, pois o sujeito que muito pensa e não age, nada faz, e o que age sem pensar não tem a noção do que fez. Toda a ação é derivada do pensamento, mesmo que este esteja apenas vinculada a intenção que o levou a fazer, todavia, o pensamento por si só não constitui uma ação. Tudo isso me remete a condição do artista enquanto criador. Muitas vezes este se priva da criação por medo de não ser capaz de fazê-lo ou por não encontrara a forma “ideal” de executar sua criação. Nesse bloqueio o artista apenas perde a oportunidade de se arriscar, quando o máximo que pode acontecer é descobrir que a idéia na prática não funciona tão bem quanto o imaginado. Quardar idéias não é ser inteligente, é ser passivo na própria vida.
O terceiro módulo do Ateliê coreografico foi a junção mais clara dos elemenos que vieram sendo trabalhados nos módulos anteriores com o material pessoal de domínio de cada artista. Neste módulo tivemos um espaço maior para a criação livre - que a princípio parece ser o espaço mais desejado pelos artistas, mas que rapidamente os levou a questão mais simples e mais temida por grande parte dos mesmos: “O que eu quero fazer e mostar?”Foi dificíl, para muitos, compreenderem que a criação ou simplesmente uma idéia não nescessariamente antecedem o fazer, e principalmente não o impedem de realizar-se. É impressionante ver como o próprio fazer consegue gerar essas idéias, esses conceitos e inclusive lhe dá novos angulos de visão sobre os mesmos. Somente quando cessam-se os questionamentos e dá-se início a ação, surgem as tão sofridamente procuradas idéias e destas outras, muitas mais vem à luz. Diferentes aspectos de uma coreografia foram trabalhados onde uns se atinham a diferentes tempos ritmicos, outros a diferenças espaciais e outro aos motivos, por exemplo. Muitas das referências trazidas nas aulas de Bartenieff com Marina Martins, Música com José Eduardo Costa Silva, Processo de criação com Renata Diniz, Música Contemporânea com Doriana Mendes, Ballet com Fabiana Valor, foram trabalhadas na interpretação e identificação pessoal de cada integrante do Ateliê e estas puderam ser identificadas pelos mestres presentes na apresentação. Os trabalhos seguiram direções diversas mas todos com uma linguagem informal com o público, que acabou por se estabelecer. Das criações resultantes posso dizer que muitas foram bem sucedidas, outras nem tando, do ponto de vista funcional, e ter essa clara visão é melhor forma de conhecermos nosso trabalho e saber a dedicadição necessária a cada propostas que esta obtenha o resultado desejado. Contudo, a arte se dá no interesse e na identificação humana, e quanto estas ocorrem, não há como dizer que um trabalho não funciona.
No geral foi um período conturbado mas vejo isso de maneira possitiva, pois é necessário que o artista se faça esses questionamentos para que então tenha clara a idéia de aonde e até aonde e por qual motivo faz sua arte, pois é necessário ter um objetivo para que se trasse uma direção, e quanto mais certo este, mais energia é concentrada em seu favor e crescimento. Uma das questões que ainda aperecm atualmente é “o que é dança?” . Creio que neste módulo chegamos a uma conclusão: Não precisamos dessa resposta para fazê-lo. E fizemos. Cada qual com uma linguagem, uma mensagem, um reflexo diferente e obiviamente obtiveram do público respostas diferentes sendo estas, formas de observar o trabalho e sua reações durante os mesmos, seus comentários ou a ausência destes, seu olhares, as formas como se portavam, as formas como respondiam e participavam das propostas. Com um formato bem informal os trabalhos de pesquisa em processo - vistos e comentados durante sua criação por todos os integrantes do ateliê - foram compartilhados com pessoas e amigos, e acredito não ser este o término deste módulo, mas o início do próximo que será composto por artistas maduros que, por fim, deixaram seus “demônios da arte” para trás.
Aline Deluna (integrante da Cia. do Ateliê Coreográfico)

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