sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

1º Módulo: Espetáculos Itinerantes no Brasil


1. De que maneira o evento "Parada Iluminada", realizado no Rio de Janeiro em Dezembro de 2009 articula os elementos estudados neste módulo?

2. De que forma a sua experiência neste espetáculo itinerante se articula ou pode se articular com o seu trabalho criativo pessoal?

3. O que mais o/a interessou neste módulo? Explique.

Além de responder, por favor comente pelo menos duas respostas de seus colegas. Seu comentário deve expor sua reflexão sobre o assunto e acrescentar teóricamente ao que está sendo estudado. Se possível use fontes teóricas de apoio à sua reflexão. Favor não replicar comentários anteriores.


18 comentários:

  1. Participantes, como este fórum sobre o 1º Módulo foi iniciado antes da criação deste Blog, irei postar novamente aqui as respostas a mim enviadas em janeiro de 2009, também divulgadas no site www.centrolaban-rj.org. Abraços, Taíla Borges

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  2. Resposta de Ana Paula Vieira

    1. De que maneira o evento "Parada Iluminada", realizado no Rio de Janeiro em Dezembro de 2009 articula os elementos estudados neste módulo?

    Em todo o seu conteudo, ela estabelece uma relação muito clara entre os participantes e o publico.Assim como em todo o corpo artistico que se articula de uma maneira muito inconsciente e ao mesmo tempo muito firme e coreografada, tudo caminha dentro de uma naturalidade incomum a um grande espetaculo.Nas aulas vimos tudo isso.

    2. De que forma a sua experiência neste espetáculo itinerante se articula ou pode se articular com o seu trabalho criativo pessoal?

    Bom particularmente tirei grandes momentos de aprendizagem nas aulas, por exemplo de danças brasileiras me deixou claramente uma consciência corporal mais firme e objetiva com relação a criação e a originalidade, nas palestras eu me identifiquei muito com a visão dos profissionais nos significados que estruturam nossa profissão.O ballet foi uma aula leve onde tudo é executado e explicado com naturalidade e respeitando tanto o nosso corpo que deu um novo brilho para a relação professor aluno.Nas outras aulas não menos importantes mas pessoalmente de conteudo um tanto cansativo para mim, por não me conectar diretamente com a intenção por tras dos movimentos.Tudo foi de grande importancia para um trabalho pessoal, tanto os movimentos apresentados como as formas de se apresenta-los.

    3. O que mais o/a interessou neste módulo? Explique.

    Ao inicio do módulo tinha uma visão diferente do que foi feito ou melhor do objetivo final deste módulo.No entanto procurei captar tudo o que podia, pois a minha intenção é aprender tudo o que posso sobre a profissão desde limpeza de movimentos até a administração de uma cia, tenho o interesse de estruturar uma trabalho próprio conseguir um trabalho pessoal, mas acho muito necessario adquirir experiência, por isso volto a dizer que prestei muito atenção na didatica de cada aula, em todos os comentarios dos colegas, na organização da parada e das aulas, nos professores e palestras!Em fim tudo foi interessante mesmo no final acho que reafirmei uma visão profissional como também aprendi muito como lidar melhor com as pessoas.

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  3. Resposta Victor D'Oliver

    Certamente a experiência adquirida no Projeto Atelie Coreográfico nos possibilita perceber de modo claro que a diversidade pode estruturar-se para formular um trabalho coerente e forte quando afirma valores, hábitos e costumes diferenciados e não busca, numa tentativa equivocada de homogeneização, edificar a uniformidade;
    Desse modo, a Parada iluminada foi um auto que exemplificou na pratica o carater diverso do próprio Ateliê.
    A importancia de entrar em contato intimo e sincero com o publico que só apreendemos nesses espaços que oportunizam uma aproximação com os outros, tornando-os menos objetos e mais sujeitos do espetáculo, menos espectadores e mais co-párticipes ou mesmo como expõe Helio Oiticica participantes, fa-nos aproximar de uma visão mais atualizada da cena, favorecendo uma relação mais entre sujeitos de ação complementar e menos entre seres etéreos e objetos.
    Entretanto, conquanto reconheça a importancia da Parada, percebo qe seu conteúdo estrutural poderia ser diferente, adotando ai aspectos mais presentes no imaginário brasileiro e menos importados, acredito que esse toque poderia validar uma maior importancia da nossa própria cultura e representações sociais.
    Em suma, acredito que a Parada é um movimento de alta relevância para a sociedade carioca, porém também como todo processo e prática cultural necessita de uma maior aproximação para quem o discurso se efetua: o povo de nossa cidade; Vale a pena reflexionar no âmbito dessa discussão, do que nosso estado de cultura se aproxima mais, se dos valores internacionais ou das práticas natalinas de nosso país.
    Todo processo de avaliação é arido, contudo quando estrutura-se de maneira refletida, discutida e atuante, mesmo relatórios escritos a pulso são validados pela coerência das confabulações previamente efetuadas.
    Obrigado pelo espaço de sugestão, pesquisa, reflexão e exposição de idéias.

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  4. Resposta Carla Stank



    Desde o início foi colocado para nós que a Parada Iluminada iria priorizar o contato mais direto com o público dentro do espetacular.


    Achei de fundamental importância a aula que Adriana Bonfatti ministrou sobre o Espaço Direto e Espaço Indireto em Laban. Todas as imagens que ela trouxe da atenção do passista da escola de samba, do músico de orquestra e do regente foram úteis, mas a imagem que ela trouxe da antena parabólica foi a que mais me ajudou. Captar de várias direções. Multifoco. Espaço indireto não é borrão. Não é disperso. Requer uma atenção muito precisa. Esse conceito me ajudou efetivamente no trabalho do cortejo.



    A Cia, desde o início, além de trabalhar na construção da coreografia da comissão de frente, colaborou na construção da coreografia das outras alas, experimentando personagens como anjos, cidadãos, crianças, padres e outros propostos nos cartões postais. Essa dinâmica inicial foi bastante importante para sabermos o que era o desfile como um todo e não ficarmos alienados em nosso trabalho.


    A pergunta inicial colocada para nós por Renata Diniz foi: O que tenho para doar? Esta questão foi o alimento do trabalho e vejo que ela esteve presente em todo o processo. Essa questão, que é chave para o artista, encontrou seus meios de expressão em todo o processo onde íamos a cada semana recebendo novos integrantes para a comissão e tínhamos que defender tudo o que já havia sido levantado.


    O rodízio de ensaiadores (Renata Diniz, Camila Fersi, Dora de Andrade e Paula Mori) permitiu também uma circulação de olhares e demandas distintas sobre o nosso trabalho. Olhares coloridos, diversos. E olhares com contribuições reais, já que todas as ensaiadoras já participaram efetivamente como integrantes deste evento.

    Mas o fator mais real de todos e o maior alimento: o olhar de milhares de pessoas, entre eles crianças, velhos, famílias inteiras, todos voltados para o que estava para acontecer. E nós inaugurávamos este acontecimento! A Cia abrindo alas pela Comissão de Frente. Todos os ensaios buscando visualizar com dificuldade essa interação com o público, ali isso se dava de maneira clara, óbvia e real. Só não vê quem não quer! Todos aqueles olhares, presentes para dar e receber num jogo contínuo de ping-pong. Não podemos deixar a bola cair, ou melhor, o olhar cair. E essa passagem de olhar em olhar, que conduzo e sou conduzida, era o meu principal alimento na avenida. Foi o que me manteve de pé lá pelo final, onde o meu pé já estava anestesiado. Mandava energia do olhar das pessoas para os meus pés.


    E assim fomos nos desdobrando na avenida onde a cada 20 metros produzíamos um espetáculo diferente porque o público mudava. Espectadores diferentes, atuação diferente, interação diferente.

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  5. Resposta Patrícia Faria

    Articula com os pensamentos de itinerância estudados neste módulo. A partir da Parada Iluminada 2008 nós alunos do Ateliê podemos observar esse contexto utilizados nas aulas ministradas e pelas palestras. Algumas explicações que antes não ficaram claras como movimentações, interação com o público e ao passarmos por essa experiência podemos observar isso bem próximo.

    No momento esse módulo não se articulou com a minha proposta de trabalho que ainda estou desenvolvendo com algumas disciplinas realizadas na faculdade UFRJ.

    O aprendizado com os professores que não conhecia os seus trabalhos, as palestras muito bem desenvolvidas e experiência com a Parada Iluminada que foi muito prazeroso, um pouco trabalhoso e cansativo, mas foi muito enriquecedor.

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  6. Resposta Carla Guadelupe




    O 1º módulo do ateliê teve como tema Espetáculos itinerante: paradas, procissões, desfiles e cortejos. Os elementos que tivemos neste modulo vão de acordo com o tema principal e serviram de base e ferramentas para um bom desempenho na parada iluminada. Através da orientação de bons professores durante 2 meses fomos nos preparando para este espetáculo, tomando consciência de cada personagem, nos condicionado fisicamente através das aulas de técnica de dança e trabalhando a interpretação com as técnicas de teatro, assistindo palestras e pesquisando pela literatura sobre o tema abordado.



    O projeto ateliê coreográfico é um grande fomentador de idéias que nos faz crescer como artista, sempre acrescentando novas experiências em nossa vida profissional. A parada iluminada nos tira do teatro e nos coloca na rua em contato mais próximo do publico. Devido a essa proximidade o artista tem que estar presente em cena, não só por alguns minutos e sim durante 3 horas mantendo o mesmo estado cênico desde o inicio deste espetáculo itinerante. Essa relação de bailarino e público neste espetáculo consiste numa troca de emoções muito próxima e de difícil manutenção desse estado cênico, uma relação de ação e reação num fluxo contínuo durante apresentação. Durante a algum tempo venho refletindo sobre as experiências corporais e este tipo de espetáculo faz com que o interprete-bailarino esteja em constante envolvimento com o publico, fazendo com que seu estado cênico esteja sempre presente. Segundo Merleau Ponty, através das sensações afetamos e somos afetados em nosso cotidiano por situações que passamos e que perpassam pelo nosso corpo, interferindo no tempo de nossas ações e movimentações.



    Gostei muito da palestra de Maria Laura que falou de sua pesquisa “O rito e o tempo: O carnaval e o Bumba de Parintins/Amazonas”. Falou-nos de como esses espetáculos itinerantes vieram se formando durante o tempo. A relação dessas manifestações com o seu povo, com as datas católicas, o movimento linear do desfile na sua estruturação de espaço, corpo x sinestesia, brincante x espectador, a influencia da cidade e suas características espaciais. Tal comunicação traduziu de forma cientifica as relações da cultura popular desses espetáculos itinerantes.

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  7. Resposta Rosana Oliveira



    A Parada Iluminada é um evento de mutação permanente fazendo com que dentro dele mostre-se várias formas de se expressar inclusive pela dança e o teatro e a partir desses recursos contarem uma história. O Foco dos professores nas aulas do Ateliê foi despertar nos alunos a consciência corporal trabalhando em cima dessa idéia de cortejo e como interagir com diferentes públicos e situações.


    Participando de um Espetáculo Itinerante aprendi como me expressar e trabalhar meu corpo e minha mente para um determinado personagem estar o tempo me adaptando a diversas reações do público e coordenar o corpo durante o espetáculo, saber dançar poupando energia para resistir até o final.


    Tudo no módulo foi muito importante no meu crescimento. O que mais me chamou atenção foi aula do Lourival de interpretação e improvisação, ele fez despertar em mim diferentes formas de me comunicar percebi em suas aulas que além de dançar poderia juntar sons e sensações que não tinha experimentado e vários sentidos poder aguçar.

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  8. Resposta Luisa Sabino

    Todo o módulo foi direcionado para o estudo dos inúmeros movimentos itinerantes que ocorrem no Brasil. Estudamos de que forma podemos dançar em constante deslocamento, mantendo a respiração para agüentar durante muito tempo, mantendo o personagem e esse estudo esteve presente em todas as aulas do Ateliê Coreográfico. O evento "Parada Iluminada" foi o momento de colocarmos o aprendizado em prática. Toda a alegria existente nas aulas esteve presente na apresentação, que foi contagiante. As três horas diárias de aula durante a semana, mais os ensaios, nos ajudaram a estar preparados para enfrentar o longo percurso. As aulas do Lolô nos ajudaram na construção dos personagens e a entender cada um, como funciona o processo de montagem de uma historia e que todos os participantes precisam estar inteiros, presentes, para que tudo se faça entender.

    Todos os professores trabalharam muito bem os espetáculos itinerantes. Todo o modulo se relacionou e nos ajudou a fazer um espetáculo melhor. Diferentes manifestações foram estudadas assim como diferentes interpretações foram vistas. A Parada Iluminada foi a oportunidade de mostrarmos todo o trabalho de quase 2 meses. Com a parada iluminada passamos pelo processo de criação de personagem, estando sempre em contato com diferentes pessoas, onde cada individuo ajudou a construir o todo. Em meu trabalho individual, enfrento dificuldade na construção de personagens, em transparecer emoções, em mostrar intenção. Para montarmos a Parada Iluminada passamos por processos incriveis de descobertas de um novo ser que entraria em cena. Tanto o preparo (ensaios, montagem das coreografias e dos personagens) quanto a realização do evento me ajudou neste ponto. É incrível vivenciar um mundo encantado, irradiar alegria e fazer emocionar estando com uma outra identidade. Mesmo com dificuldade em me "transformar" em uma outra pessoa me senti muito a vontade e muito feliz durante o evento. Além disso, todo o desfile é muito emocionante. A alegria.que irradia tanto dos realizadores quanto da platéia me encantou e me transformou. Pretendo encontrar toda essa emoção em meus momentos de criação. O que mais me surpreendeu neste módulo foi a total interação do grupo. Tudo foi articulado. As aulas se relacionavam, se completavam, cada uma com os seus objetivos, mas todas abordando um mesmo tema: os espetáculos itinerantes no Brasil. Cada aula nos passava algo novo. As novas formas de estudar a cultura popular brasileira foram maravilhosas. As propostas de criação realmente nos faziam criar. Dancei em dois meses o que não dançava a muito tempo. As novas propostas me animaram, me fizeram querer estar e me ajudaram a pôr pra fora a minha dança. Além disso, foi interessante ver todas as aulas funcionando mesmo com o grande numero de alunos. Todos os professores atingiram desde os alunos iniciantes até os alunos com mais técnica, com aulas muito bem preparadas e grande numero de informações. O Ateliê me surpreendeu na organização. Achei que as aulas não funcionariam tão cheias, mas funcionam. Acho que os horários das aulas poderiam ser revistos. As duas aulas poderiam ter uma hora e meia, pois a primeira aula com apenas uma hora não é suficiente. Não conseguimos avançar, pesquisar, utilizar mais o ínicio da aula, o aquecimento, e a aula parece terminar na metade. Essa seria minha sugestão. Fora isso, achei todo o módulo muito proveitoso. Aulas e professores maravilhosos me fizeram encantar pelo projeto.

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  9. Resposta Jessica Tavares
    Penso que ele se articula com o estudo de Laban. Durante esse módulo foi pesquisado o espaço interno e externo, movimentos internos e externos que precisam manter sua característica até o final do evento “Parada Iluminada”.


    Acredito que o espetáculo itinerante tem uma energia muito grande. Particularmente eu não tinha feito um trabalho de itenerância como esse. Foi muito gratificante para mim. Com certeza o primeiro módulo do Ateliê Coreográfico ira colaborar para a minha formação enquanto artista. Venho amadurecendo uma idéia que espero que se torne um espetáculo de dança. Essa pesquisa que venho traçando propõe dialogar com as pessoas que moram longe de seus trabalhos, escola, enfim, que por conta disso, passam a maior parte do tempo dentro dos ônibus. Penso que esse projeto de dança para atingir a comunicação com as pessoas que vivem nessa trama social, precisa estar em espaços abertos. Dessa forma, penso que essa idéia pode se articular com o espetáculo itinerante através da aproximação com o ser humano, propondo uma abertura entre o artista e o cidadão. No módulo espetáculo itinerante no Brasil, o que mais me interessou foi às aulas, pois houve um grande empenho da parte dos profissionais que ministraram as aulas em mostrar para nós a diferença em executar um movimento que tem um olhar para dentro e executar o mesmo movimento com um olhar para fora.

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  10. Resposta Luciana Ponso


    Cada professor, a seu modo, utilizou um princípio básico nas aulas deste primeiro módulo do Atelier que foi a observação. Primeiro, olhar, depois agir.
    Quando a professora Duda Maia em determinada aula disse para observar acima de tudo e depois comprar o jogo do outro para depois então dar de presente ou receber uma “dança”, foi ali que ficou determinada minha conduta na travessia da Parada Iluminada. Eu tinha a função bem clara de conduzir aquele público para dentro da fantasia, mas isso só seria possível a partir da observação de uma complexidade de coisas: direção, produção, colegas de trabalho, adereços, carros, público, guardas...Tínhamos que passar por essa engrenagem com a maior das sensibilidades, porque itinerância é o espaço da rua e só é possível passar pela rua se todos os elementos estão em harmonia. Nas aulas deste primeiro módulo, tínhamos que estar com o corpo quase grotesco, como afirma José Gil: “nem fechados e nem acabados, ultrapassando-se a si próprios, transpondo-se limites”. Mesmo com pouco tempo, pudemos experimentar um corpo desprovido de ego nas aulas do Lolô, um corpo em deslocamento nas aulas da Laís, um corpo em conexão nas aulas da Luciana Bicalho, que tem peso e é atento nas aulas da Camila, um corpo que pode dar e receber nas aulas da Duda. Depois de tudo isso, a Parada Iluminada fez mais sentido: um olhar atento e sensível pode ser transformador.


    Espinosa afirma que quanto mais apto for seu corpo para o múltiplo simultâneo, mais ativa será a alma que, finalmente, poderá compreender-se como poder reflexivo que alcança pelo pensamento o sentido de si mesma, de seu corpo, do mundo e da natureza inteira.

    Penso que estamos, os bailarinos, sempre em busca desse múltiplo simultâneo, capazes de estar no palco ou na rua, comunicando através do corpo, aprendendo e ensinando. Este espetáculo itinerante acrescenta esse objetivo quando coloca nosso corpo sujeito aos próprios princípios da itinerância: a imprevisibilidade, a observação, a troca, a exaustão, o acaso e suas surpresas.


    Neste módulo, o que mais me interessou foi constatar a riqueza dos encontros. Seja na Cia., seja no grupo inteiro, no encontro com os professores e ensaiadores. Um encontro que só é rico pela diferença, onde cada um teve sua contribuição dentro de sua especificidade. A questão da itinerância me fez lembrar de sagas que eu sempre gostei de ler como “Cem anos de solidão” do Garcia Marquez ou “O tempo e o vento” do Érico Veríssimo. Porque como numa saga, como uma grande família onde diferentes gerações convivem e passam pela vida, nós também íamos traçando um caminho, dia após dia, com todos os percalços e também coisas boas. Minha vontade é seguir em frente, com a sensação de não precisar parar na Apoteose, como falou a palestrante Maria Laura sobre o Carnaval, que possamos nos outros módulos permanecer com esse espírito de passagem e fluidez de boas realizações.

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  11. Resposta Claudia Horta

    1. Tivemos ao longo deste período aulas de diversos profissionais que, mesmo atrelados à sua técnica, tratavam do mesmo tema de forma bem clara. Nas aulas de ballet, tivemos a oportunidade de estudar os mecanismos de suporte ao corpo, junto à leveza e à elegância que essa técnica exige. Já nas aulas de improviso tivemos o desafio de fazer nosso corpo produzir e reproduzir, de forma criativa, os personagens que iríamos trabalhar na parada.

    Nas aulas de Duda Maia os laboratórios de criação para a descoberta de uma maneira autêntica de se movimentar foram fundamentais, assim como as aulas de dança popular, aproximando nossos corpos ao elemento terra que em contrapartida se espalhavam pelo espaço nas aulas de Bartenieff.

    Todos esses elementos foram importantes para o desenvolvimento do trabalho artístico; somado a ele, somente a grande imensidão do público que nos emocionava.


    2. Para mim a grande experiência que fica é a da relação com a platéia, bem diferente da do palco, onde o espectador ainda está distante do que é apresentando, salvo algumas exceções.

    Essa relação próxima personagem – público ativa a atenção do corpo para manter o estado-personagem. É verdadeiramente um lugar de magia: o espaço é indireto, muitíssimo amplo, onde a energia pode se dispersar rapidamente; porém em presença do público é concedida ao corpo uma multiplicidade de olhares, o que mantém o foco na qualidade de corpo cênico. Portanto esta experiência articula com o meu trabalho de forma a acrescentar nas relações perto e longe com o espectador.

    3. Itinerante 1. Que viaja, que percorre itinerários. 2. Pessoa itinerante. O caráter do projeto Ateliê Coreográfico aponta os caminhos do tema desenvolvido neste módulo. Grupo formado por pessoas diferentes, de diferentes lugares, com diferentes itinerários e percursos.
    Primeiramente, o grupo geral ainda estava se conhecendo e descobrindo suas afinidades; como nos ambientar no meio de tanta gente diferente? Segundo: as relações com espaço, e dentro disso a tentativa do melhor aproveitamento de aula de cada um. Terceiro: como absorver tantas aulas, uma seguida à outra, mantendo a atenção desde o primeiro momento (o supracitado estado-personagem)?

    Estas três questões definem um pouco como este módulo não foi apenas absorção de teorias (aulas), formas de fazer (técnica), mas também de adaptação às inter-relações de ordem pessoal, espacial e de percurso. Daqui desdobram-se vários sub-temas que abordam um tema central: espetáculos itinerantes representados na Parada Iluminada.

    . Percursos de cada um – partindo da concepção do projeto Ateliê Coreográfico que abrange particularidades diversas, a itinerância de seus integrantes revela também uma qualidade específica corporal e artística dentro de um grupo de pessoas. . Espaço-tempo – com relação à itinerância, podemos classificar a fugacidade do tempo como elemento importante para a execução corporal. Como citado anteriormente, o espaço é mágico e deixa a cada minuto seu rastro de existência. No Ateliê, intensifica-se a atenção para com o corpo. O espaço tem o foco principal como lugar de aprimoramento, de realização, de acomodação (no sentido de adaptação). . Estado- personagem – diferente do espetáculo itinerante, com relação à execução, o espaço é direto. A atenção permite a sustentação do personagem. O foco, durante as aulas, mesmo com a quantidade de pessoas em sala, é voltado para si, mantendo a maleabilidade na presença do outro e sua decorrente troca. E em algumas vezes assumindo o papel de espectador. De uma forma menos lúdica, mais de trajetória de relações.

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  12. Resposta Munique Matos

    1- Do balé clássico ao brincante do folclore brasileiro. Acredito que a articulação foi a partir da observação dos princípios de espetáculos itinerantes, e essas matrizes foram desenvolvidas a partir de nossas referências estrangeiras e nacionais. Fomos convidados a experimentar diferentes dinâmicas na gestualidade em aulas de balé, no estudo dos esforços e do espaço em Laban e na interação característica de nossas danças populares. Era desfile na rua, mas não era carnaval. No ano de 2008 a Parada Iluminada exigiu de seus intérpretes uma identidade global. Este módulo nos fez vivenciar a identidade cultural pós-moderna de Stuart Hall(2003), uma identidade cultural dinâmica, suscetível a aspectos da globalização.

    2- Brasil + EUA. A pesquisa em torno da percussão corporal por enquanto articula no som e movimento pesquisados, fragmentos culturais múltiplos, a partir do encontro do samba e do funk.

    3- As aulas de composição e improvisação a partir de estímulos de movimento e som da cultura brasileira. Este tipo de abordagem possibilita o desenvolvimento de um estado de dança amplo, rico e agradável. Além de alimentar as solicitações de pesquisa pessoal, que tem nossa cultura como um de seus abjetos de análise.

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  13. Resposta Celso Correa

    A relação do Ateliê Coreográfico com a Parada Iluminada é que ambos se articulam por terem a pesquisa, o estudo, a criação de cena e o contato direto e indiretamente com outras pessoas em comum. Um evento tão grandioso nas proporções do que é a Parada Iluminada, mantém também um trabalho de relação entre espaço e corpo bem diferenciada e com uma diversidade de público bem interessante, assim como no Ateliê Coreográfico, onde temos uma formação ampla do que é ser artista na nossa sociedade

    Acredito que a partir do primeiro ensaio que tivemos para compor personagens, foi dado inicio a uma experiência rica de desenvolvimento pessoal. A rotatividade de profissionais nos ensaios, me fizeram adquirir uma maior vivência em criar o inesperado, o novo e a reaproveitar o que foi deixado para trás. É claro que a minha experiência vinda de outro espetáculo itinerante – o Carnaval – me ajudou a lidar melhor com um público tão participativo neste espetáculo e a ter uma maior facilidade em lidar com os obstáculos surgidos durante o percurso.

    Acredito que a partir do primeiro ensaio que tivemos para compor personagens, foi dado inicio a uma experiência rica de desenvolvimento pessoal. A rotatividade de profissionais nos ensaios, me fizeram adquirir uma maior vivência em criar o inesperado, o novo e a reaproveitar o que foi deixado para trás. É claro que a minha experiência vinda de outro espetáculo itinerante – o Carnaval – me ajudou a lidar melhor com um público tão participativo neste espetáculo e a ter uma maior facilidade em lidar com os obstáculos surgidos durante o percurso.

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  14. Resposta Rodrigo Massahud Dias

    Todo processo vivenciado dentro do primeiro módulo do ateliê coreográfico, contribuiu para que estabelecessemos claramente uma relação direta com o público. Sabendo da proximidade entre artistas e platéia fomos dentro das nossas práticas diárias colhendo informações que correspondessem as necessidades de diálogos para um contato íntimo e verdadeiro com essas pessoas que estariam no evento.
    Dentro das experiências propostas pelos professores algo marcante sem dúvida, foi uma aula de Duda Maia, onde escolhiamos um colega através do olhar... Iamos até ele e optávamos em levá-lo para algum outro colega, ou nós mesmos onde este também através do olhar descobria se doava sua movimentação ou recebia da pessoa a frente, estabelecendo assim uma relação direta entre eles. Era como se estivessemos trocando um "presente". Algo que chamava a atenção nessa dinâmica era como cada um reagia nessa entrega ou recepção, como cada um recebia ou doava esse "presente". Nesse momento, percebe-se como a proximidade dificulta as formas de expressar o sentir.
    Ao final, a Parada Iluminada coloca em prática todas as vivências e informações coletadas durante o módulo. Uma experiência única, onde a emoção se mistura com a razão e o personagem... Percebe-se então o quanto é relevante a interação com o espectador, nesse jogo de "doar e receber"... Concluindo nesse primeiro módulo podemos perceber o quanto nossas emoções se fazem presentes nessa prática e que, a partir de um ambiente de confiança e de um preparo estruturado, podemos transformá-las no grande diferencial do exercício da liderança.

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  15. Resposta Rodrigo Riveira

    Durante todo o módulo estudamos elementos de danças/manifestações itinerantes, e na apresentação podemos ver na prática como tal situação de fato ocorria.
    Em algumas aulas foi muito trabalhado a improvisação, fato que foi muito importante uma vez que o publico estava tão próximo que invadia o espaço e interagia conosco e pedia para que também interagíssemos, e como manter as marcações coreográficas interagindo com o público? O improviso era muito importante neste momento e ainda mais que isso, era necessário se manter na personagem, pois para o publico quem estava a sua frente era o padre, o carteiro, os habitantes da cidade de noel, os anjos, enfim, todos personagens que faziam esta fantasia um tanto quanto real e por isso senti muito importante também, o fato de aprendermos a se manter na personagem agir como tal, independente das situações e manter a postura também era muito importante e durante todo o módulo tivemos aulas as quais passavam por todas estas especificidades, logo, nos indicando o caminho de como agir na situação futura que viria a ser a Parada Iluminada.
    Neste evento pude perceber alguns elementos que me fizeram pensa o meu “ser bailarino”, logo me ocorreram alguns pensamentos. Enquanto profissional me acresci de uma experiência muito diferente de qualquer outra que já passei e por tal diferença ganhei muito em aprendizagem pois o contato tão próximo ao público, fez com que eu entendesse alguns elementos que fazem com que o público goste tanto deste tipo de espetáculo, como em termos de coreografia e figurino por exemplo.
    O figurino tem um papel muito importante de caracterizar a personagem e este estudo de personagem, foi uma situação que me interessou muito durante esse módulo, o manter o estado de personagem, o agir como tal, se mover, falar, se expressar, enfim, ser esta personagem foi uma situação difícil, porém muito engrandecedora, pois pude entender mesmo que pouco talvez, porém o suficiente para um crescimento profissional e pessoal.

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  16. Resposta Lucas Rodrigues

    O primeiro módulo do Atelier Coreográfico, Espetáculos Itinerantes no Brasil falou sobre essa possibilidade que um espetáculo pode ser realizado, de seu percurso ser através de uma passagem. Outro fator é a característica mais popular que esses espetáculos apresentam, seja pelas próprias danças populares que em grande parte tem a forma de cortejo, e seja pelo espaço aberto, que trás a plateia pessoas de todos tipos de formação cultural. Essas características estiveram presente no módulo do Atelier coreográfico de várias formas, desde as aulas de dança popular até a a formação dos componentes do projeto. E tentando resumir o que seria isso, poderia citar a diversidade que se harmoniza para um objetivo comum, transformar o outro. Essa comunhão de pessoas distintas que buscam uma formação artística ligada a dança deve ter essas questões desenvolvidas para qualquer outro tipo de trabalho que queira vir a desenvolver. E mesmo tendo sido apenas dois meses de trabalho, sei que pelo mesmo uma faísca disso foi acesa.
    O evento Parada Iluminada em que se encerrou o módulo representa uma possibilidade de espetáculo itinerante, Um espetáculo gigante que se articula com muitas outras áreas, como produção, patrocínio, marketing, arte visual, enfim aréas que devido ao tamanho do evento influenciam muito mais no carater coreográfico do espetáculo que um evento menor. Mas mesmo achando que se perde oportunidades coreográficas por causa da magnitude do evento, essa capacidade de reunir milhares de pessoas nos possibilita esse contato com um grande público. Isso sem dúvida é uma oportunidade maravilhosa que compensa qualquer frustração artística que temos devido a todas as outras áreas que não nos dizem respeito, e as vezes nos é mais forte em termos de direção. Tenho certeza de que se fosse dada a direção artística, e portanto a direção coreográfica, maior importância que a produção e a promoção do evento, teríamos um espetáculo arrebatador, pois com a equipe de professores e ensaiadores e os bailarinos, todos com uma grande disposição para que dê certo, qualquer espetáculo se torna um grande espetáculo.

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  17. Resposta Julio Rocha

    De que maneira o evento " Parada iluminada" realizado no Rj dezembro 09 articula os elementos neste modulo?
    O q pude absorver nas aulas para a parada iluminada foi o contato humano o desprendimento do bailarino para algo mais simples e emocional.
    As aulas de teatro(lolo) , foi fundamental para esse trabalho , soltura e da imaginação .
    Assim pude usa-la do inicio ao fim, em cada parte do desfile uma emoção.

    De que forma a sua experiência neste espetáculo itinerante se articula ou pode se articular com o seu trabalho criativo e pessoal?
    Em seu terceiro ano, esse foi um dos mais interessantes.
    A participação da Cia atelie na construção de Personagem e ate mesmo criando td comissão de frente , uniu e foi incentivador a todo atelie.
    Trabalhamos numa unica função e tds se alto coreografou se integrando mais ainda no personagem e na fantasia da parada iluminda.
    Presenças de liderança foram importantes nesse trabalho, Paula Mori, Renata Diniz, Camila Fersi ,Dora de Andrade, organizou e ajudou q tudo estivesse bem mas tranquilo, foram atenciosa e maestrina com a Cia e atelie.
    Levei tudo isso a av atlantica e transmitir a centenas de crianças , jovens e adultos e fui correspondido.

    O que mais me interessou nesse modulo? Explique.
    O que me interessou foi algumas aulas e o formato do atelie.
    Não achei que algo de especial tenha me interessado. Apesar de os ensaios terem sido muito mais calmos para parada iluminada , diferente dos anos anteriores.
    Algumas aulas se perderam devido ao pouco tempo de aula e um numero grande de participantes de niveis diferenciados.
    Entre elas: Aula de ballet , aula da Duda Maia
    Outras sobressairam : teatro ,contemporaneo, danças folcloricas

    Aulas extremamente interessante mas perde pelo pouco tempo que se tem.


    "E essa passagem de olhar, que conduzo e sou conduzido, era o meu principal alimento na avenida. Foi o que me manteve de pé lá pelo final onde o meu pé já estava anestesiado. Mandava energia do olhar das pessoas para os meus pés" Carla Stank

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  18. 1. De que maneira o evento "Parada Iluminada", realizado no Rio de Janeiro em Dezembro de 2009 articula os elementos estudados neste módulo?
    Nossa! De todas as maneiras. Primeiro que tira a gente de sala de aula totalmente, tira a gente do teatro quatro paredes e joga a gente no grande teatro da vida, que é a rua, o social. Segundo que tudo que aprendemos e criamos tivemos possibilidade de mostrar ali e de passar para várias pessoas que entram como voluntários também. Acho que foi uma grande sacada!

    2. De que forma a sua experiência neste espetáculo itinerante se articula ou pode se articular com o seu trabalho criativo pessoal? As aulas que permeiam o folclore pra mim são muitos fortes, consigo resgatar valores perdidos acredita? Acho q é originário de mais dançar folclore, dançar algo que sobrevive nesta era de sofisticações. Fora que criamos juntos né? Os laboratórios, as oficinas, as palestras nos deixaram muito livres para criar e compor em cima do que era sugerido.

    3. O que mais o/a interessou neste módulo? Explique. Foi comprovar a diversidade como disse o Victor existente em nosso território. E saber que mesmo na diversidade pode-se estruturar-se e formular um trabalho coerente e forte quando afirma valores, hábitos e costumes diferenciados e não busca, numa tentativa equivocada de homogeneização, edificar a uniformidade. Outra coisa muito legal foi a troca com o público como também afirma o Rodrigo Massahud.Desta vez estávamos com o público, tinha hora q eu confundia ser ele. Isso é sempre muito bom.

    Jardel Lemos

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